Ler

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Ironic, dei uma travada boa pra escrever. Isso acontece geralmente quando estou enfurnada num livro muito bom, daqueles cujo texto fazem a gente ter vergonha de ter cogitado escrever. Ganhei um Kobo e baixei mil coisas nele, coisas demais, até. Nem lembro o quê. Liberdade, o romance do dia (de Jonathan Franzen), nem comecei. Mas me desafiei a matar de uma vez a trilogia do Philip Roth – Pastoral Americana, Casei-me com um Comunista e A Marca Humana. Desinformada, comecei pelo terceiro, mas tudo bem, o personagem alter-ego é o mesmo mas a inversão não afeta a leitura de modo algum. Que livro, senhoras e senhores. Como descrevi no FB, o cara nos pega pelas mãos e gira, gira, até nos largar para bem longe de onde estávamos. Um baque. A Pastoral não é assim, demora a engatar, e quando você vê, Roth maldito está dissecando o homem médio branco americano cis e tudo o mais e você só se dá conta no meio do livro.

Tudo que há para ser contado nesse mundo já foi; tudo foi descrito e narrado. Guerras, romances, mediocridades, inveja, os melhores e os piores sentimentos, a política, a sociedade, o sexo, os vícios, passado e futuro, a imbecilidade, o espiritual, o diabólico, o amor, a lógica e a loucura das relações humanas e no entanto sempre há ângulos novos, personagens que passam a fazer parte da nossa construção de alma, frases que, por mais que não as decoremos (eu não decoro), seguem com a gente. Ao contrário da história, a literatura consegue se repetir como verdade, e eu realmente não consigo entender quem não gosta de ler.

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7 comentários sobre “Ler

  1. Eu estava escovando os dentes agora entre um capítulo e outro do Cartas de Darwin e pensando: se o Darwin tivesse optado por ficar lendo, lendo, lendo, ao invés de dissecar besouros e cracas, não teria revolucionado a ciência. Aí pensei também que sorte a minha de não ter ideias e insights brilhantes pra testar. Assim posso ler à vontade, sem culpa, hohoho. 😉

  2. antes de chegar no post, preciso dizer que sempre que vejo um Hooper meu coração mio falha. E eu nem entendo nada de arte. Mas os personagens, as histórias que ele conta em cores me toca demais.

    eu às vezes entendo quem não gosta de ler. eu não entendo é quem consegue ficar sem.

  3. É hábito gostar de ler e na nossa cultura não é tão claro e estabelecido assim. Muita gente se traumatiza na escola e não volta a ler outras coisas depois. Acho triste, pq me sinto ‘viajando’ em livros, nas historias, lugares, relacionamentos. Abre nossa mente e o nosso olhar. É muito bom!

  4. “preciso dizer que sempre que vejo um Hooper meu coração mio falha” [2]

    Tenho preconceito contra quem não gosta de ler. (Sorry, é mais forte que eu.)

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